Fundamento Religioso

Paralelamente à técnica de conservação, os egípcios desenvolveram uma teologia de mumificação por meio do mito de Osíris, o primeiro ser (deus) a conhecer a morte. Assassinado pelo irmão Seth, seu corpo foi despedaçado e depois reunido e mumificado por sua esposa, Isis e por Anúbis, criando a primeira múmia. A mumificação era praticada por sacerdotes embalsamadores. Participavam também do processo artesãos encarregados de preparar o natrão, as bandagens e todo o material necessário. O ritual funerário, no qual se incluía a mumificação, era complexo, com numerosos atos religiosos no decorrer das etapas de preparação do corpo. Os embalsamadores colocavam amuletos entre as bandagens e fórmulas mágicas eram lidas pelo sacerdote em voz alta. Pronta a múmia, havia o ritual de abertura da boca que permitia ao morto recuperar as faculdades físicas. Assim, ele renasceria como um ser divino como o próprio Osíris. A múmia recebia a máscara funerária e era levada até a tumba dentro do esquife, que recebia decoração e inscrições apropriadas.


CAIXÃO DO SACERDOTE HORI (detalhe), XXI dinastia
Madeira policromada; Tebas ocidentel, Egito;
Museu Nacional