Só pra matar a saudade dos livrinhos de Sci-Fi q eu lia na infância:

As capas de Perry Rhodan são um capítulo à parte, elas mostram bem o q era a loucura corajosa e desequipada da edição de livros num Brasil nos anos 70, e a diferença estética dos alemães e dos americanos:

Os originais alemães são desenhados por Johnny Bruch, um artista muito datado. Ele sempre representava uma ação muito literal, tirada diretamente do enredo do livro. Sua paleta de cores é bem apagada, muita cor de burro quando foge, adorava uns vermelhos mortiços. Eu diria q o seu estilo é típico de desenhos da virada da década de 50 pra 60. Alguns exemplos do primeiro ciclo (1961-1962):

 

Aos poucos o Johnny foi se sofisticando e experimentando com colagens de fotos, paisagens mais ricas e sombrias ou tentando fazer umas reconstruções mais caprichadas de aliens:

 

De vez em quando ele reciclava uns temas, o caso mais gritante foi esse, em que ele plagiou a sua própria capa:

 

Os americanos, quando começaram a traduzir a série, uma década mais tarde, devem ter se sentido fortemente repelidos por essas capas toscas, e contrataram o artista Gray Morrow, q desenhava Tarzan, Flash Gordon, etc, pra fazer uma nova série de capas. As capas de Gray Morrow na maioria não tinham nada q ver com o original alemão, e mostravam personagens muito robustos, homens cheios de músculos, mulheres voluptuosas, em cenas meio irreais, cheias de linhas, círculos, com muitas cores. Uns exemplos da arte de Gray Morrow (originais antes de serem montados como capas de Perry Rhodan):

 

 

Os contrastes são óbvios. Às vezes Gray Morrow somente refazia a idéia original do alemão. De um lado os personagens alemães são esquálidos, com suas perninhas fininhas, contrastando com os americanos fortões e cheios de sex-appeal. Reparem também o cinemascope da composição das letras do título da série versus as letras muito anos 50. Exemplos:

 

Os brasileiros, claro, aproveitaram a arte dos americanos (até as bordas em arco), pelo menos nos 90 e poucos primeiros números. Só que fizeram uma coisa boa: mantiveram fielmente o texto alemão integral e a sequência dos números, coisa q os americanos não fizeram, provavelmente porque acharam alguns volumes sem graça e também porque muitos deles eram fundidos em duplas. Com isso, os brasileiros tiveram de rebolar para encontrar imagens para todas as capas, e tiraram algumas não se sabe de onde, pq nem correspondem aos originais alemães nem à série americana.

Exemplos de capas brasileiras tiradas do nada:

Depois a Ediouro criou a chamada série preta, em formato maior, mas super estreito, com menos espaço ainda para a imagem e muito desproporcional ao original quase quadrado. Nesse ponto os brasileiros começaram a usar direto a arte de Johnny Bruch, embora, pela falta de acesso aos originais, tivessem de reproduzir as imagens direto das capas dos livros, ou seja, eram obrigados a dar um zoom nas partes sem as letras, mutilando tudo e perdendo totalmente os contraste das cores. Além disso, uma cabeça de Perry Rhodan num canto consumia uma parte do espaço da figura: