Linguagem e evolução

Disciplina

Linguagem e Evolução

Código

MNA 766

Professor Responsável

Bruna Franchetto

Ementa

Muitas têm sido as tentativas de responder às seguintes perguntas, todas interrelacionadas: como surgiu a linguagem humana tal como a conhecemos? É ela um desenvolvimento das formas de comunicação animal ou representa uma ruptura, um salto, na história da evolução? Qual a relação entre linguagem, línguas e cultura(s)? Qual a relação entre linguagem/línguas, pensamento e comunicação? Existiu uma única língua original? Como explicar a grande diversidade das línguas humanas? O curso visa sistematizar perguntas e respostas, bem como examinar criticamente as hipóteses oferecidas no passado e no presente, organizando-se em cinco partes: (1) História do tratamento da questão da origem e da evolução das línguas e da linguagem no pensamento ocidental, da Grécia ao século XIX; (2) Outras visões da questão: o que outras culturas dizem sobre a origem e a natureza da linguagem humana (será dada uma atenção particular a manifestações ao pensamento ameríndio); (3) a explicação da diversidade; (4) Horizontes contemporâneos: teorias da evolução e teorias lingüísticas atuais discutem a origem e a natureza da linguagem humana; (5) Línguas, história e pré-história: as hipóteses lingüísticas a respeito do povoamento das Américas (Joseph Greenberg, seus discípulos e seus críticos).

Sumário

O Curso visa preparar os alunos para entender os princípios epistemológicos que guiam as não poucas hipóteses até hoje oferecidas para explicar a natureza da linguagem humana, suas origens (do ponto de vista filogenético) e sua evolução ou desenvolvimento. Na primeira parte, abordaremos as respostas dadas a perguntas básicas que nortearam o pensamento de vários autores ao longo da história (do ocidente) e que podem ser assim sintetizadas: quando e como surgiu a linguagem humana ao longo da evolução da espécie? Foi um evento ´abrupto´, uma mutação, o desfecho de uma acumulação de fatos e mudanças ´externas´? É a linguagem uma capacidade biologicamente inscrita? Quais teriam sido as condições necessárias e suficientes para o seu surgimento? A segunda parte do curso tratará, de modo introdutório, das relações possíveis e impossíveis entre estudos lingüísticos e arqueologia. A terceira parte será dedicada a um sobrevôo da diversidade lingüística, outro tema que tem estimulado hipótese ora arrojadas ora prudentes: teve uma língua-mãe ancestral? Qual a razão de ser das mais de 5.000 línguas que ainda hoje povoam o mundo?
O Curso terá aulas expositivas, seminários apresentados pelos alunos e palestrantes convidados para enriquecer a discussão dos tópicos mais relevantes.

PARTE I: A Emergência da Linguagem (Teorias e Hipóteses)
1ª Sessão: Prolegómenos
2ª Sessão: Linguagem e (teoria da) Evolução
3ª Sessão: O debate continuidade-descontinuidade: hipóteses a partir da teoria gerativa
4ª sessão: O debate continuidade-descontinuidade: outras hipóteses
PARTE II: Origens da Diversidade Lingüística
Uma visão geral (3 sessões)
Diversidade nas Américas (2 sessões)
PARTE III: Arqueologia, Linguagem e Lingüística
Um estudo de caso: Austrália (2 sessões)
PARTE IV: Iconografias e Escritas(1 sessão)

Bibliografia

FRANCHETTO, B. & LEITE, Y. 2004. Origens da Linguagem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
FOLEY, WA. 1997. Anthropological Linguistics. An Introduction. Part II (The Evolution of Language). Blackwell Publishers.
Leitura complementar:
BERGOUNIOUX, G. 2005. L’origine du langage: mythes et theories. In: Hombert, Jean-Marie (org.) Aux Origines des langues et du langage. Paris: Fayard (14-41)
HARRIS, R (ed.). 1996. The Origin of Language. Bristol: Thoemmes Press
TAYLOR, E. Ch 4: On the origin of language
ANONYMOUS. Ch 5: The Origin of Language
DARWIN, C., Ch. 6: Mental Powers
ZIMMER, C. 2003. O Livro de Ouro da Evolução. O triunfo de uma idéia. Rio de Janeiro: Ediouro. Parte IV, caps 11 e 12.
Leituras complementares:
HOMBERT, J.-M. (org.). 2005. Aux Origines des langues et du langage. Paris: Fayard.
VERNIER, P. Évolution du cerveau et emergence du langage (42-63
COUPE, C. À la recherché des indice du langage articule (64-73)
LESTEL, D. Comportement animal, communication animale et langage (74-101)
VICTORRI, B. Les “mystères” de l’émergence du langage. (212-235)
QUINTANA-MURCI L. & HOMBERT J.-M. Genes et langues: une évolution parallèle? (308-327)
HAUSER, M.; N. CHOMSKY e W. Tecumseh FITCH. The Faculty of Language: What is it, Who hás It, and How Didi it evolve?. Science, vol. 298, 22 de novembro de 2002 (p. 1569-79).
PINKER, S. e R. JACKENDOFF. The Faculty of Language: what´s special about it? Cognition 95 (2005) (201-236).
Leituras complementares:
FITCH W. TECUMSEH, M.; HAUSER, D. & CHOMSKY, N. The Evolution of the Language Faculty: Clarifications and Implications. Cognition (in press).
PINKER, S. & BLOOM, P. Natural Language and Natural Selection. Ms, s. d.
LIEBERMAN, P. 1994. The origins and evolution of language. In: Ingold, T. (ed.), Companion Encyclopedia of Anthropology. Humanity, Culture and Social Life. London: Routledge.
HURFORD, J., STUDDERT-KENNEDY M. & KNIGHT C. 1998. Approaches to the evolution of language. Cambridge University Press.
AITCHISON, J. On discontinuing the continuity-discontinuity debate. 17-29.
ULBAEK, Ib. The origin of language and cognition. 30-43.
WORDEN, R. The evolution of language from social intelligence. 148-168.
KNIGHT, C., STUDDERT-KENNEDY M. & HURFORD, J. 2000. The Evolutionary Emergence of Language. Cambridge University Press. – Part I. The evolution of Cooperative Communication. (6 artigos: 19-119)
Leitura complementar:
HOMBERT, J.-M. (org.). 2005. Aux Origines des langues et du langage. Paris: Fayard.
SPERBER, D. & ORIGGI, G. Pourquoi parles, comment comprendre. (236-253)
CAVALLI-SFORZA, L. & CAVALLI-SFORZA, F. Quem somos? História da diversidade humana. Editora UNESP. (Cap. 7, A Torre de Babel)
RENFREW, C. 1997. World linguistic diversity and farming dispersal. In: Roger Blench & Matthew Spriggs (eds), Archaeology and Language. Theoretical and methodological orientations. Londos: Routledge. (82-90).
MALLORY, J.P. 1997. The homelands of the Indo-Europeans. In: Roger Blench & Matthew Spriggs (eds), Archaeology and Language. Theoretical and methodological orientations. Londos: Routledge. (93-121).
NICHOLS, J. 1997. The epicentre of the Indo-European linguistic spread. In: Roger Blench & Matthew Spriggs (eds), Archaeology and Language. Theoretical and methodological orientations. Londos: Routledge. (122-148)
DIAMONDS, J. & BELLWOOD, P. Farmers and their Languages: the First expansion. Science, v. 300, 25 April 2003 (597-603).
FRANCHETTO, B. Línguas e Agricultura. Ciência Hoje, vol. 33, no 194 (8-9), 2003.
Leituras complementares:
RUHLEN, M. Toutes parentes, toutes différentes. Recherche n. 306, fevereiro 1998 (68-75).
SZULMAJSTER-CELNIKIER, A. Éloge de la prudence méthodologique. Recherche n. 306, fevereiro 1998 (76-81).
HOMBERT, J.-M. (org.). 2005. Aux Origines des langues et du langage. Paris: Fayard.
HUBLIN, J.-J. La langue des premiers hommes (102-117)
COUPE, C. L’impossible quête de la langue mère (162-195)
PEYRAUBE, A. Comment classer les langues? (328-345)
PHILIPPSON, G. Reconstruire la langue mere, science ou fiction? (346-361)
GARANGER, J. 1997. Oral tradition and archaeology: two cases from Vanuatu. In: Roger Blench & Matthew Spriggs (eds), Archaeology and Language. Theoretical and methodological orientations. London: Routledge. (321-330).