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Expo Luzia  |
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Surgem mais Dúvidas
Quem foram os primeiros povos a chegar no continente americano? Quando aqui chegaram? De onde vieram? Em quantas levas migratórias? Estas e muitas outras questões têm atraído a atenção de cientistas desde longa data. Recentemente, reavaliações de achados arqueológicos e bioantropológicos estão ajudando a responder algumas questões, ao mesmo tempo que suscitam inúmeras outras indagações.
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Imagens do crânio de
Luzia. Vista anterior (A) e vistas laterais esquerda (B)
e direita (C).
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A partir desta constatação, uma outra série de controvérsias se delineia. Embora estudos osteométricos já tivessem registrado características negróides-australóides nas formas da face e do crânio de indivíduos oriundos da região de Lagoa Santa, isso sempre foi considerado apenas uma variação populacional. A aplicação de novas metodologias de análise, pelo Prof. Walter Neves, levou à comprovação de que os espécimes de Lagoa Santa eram significativamente diferentes de outros grupos indígenas atuais. Eles se pareceriam mais com os grupos ancestrais que habitavam a África e a Austrália do que com grupos asiáticos. Tais constatações estão causando uma grande reviravolta nas teorias sobre o povoamento pré-histórico das Américas.
As pesquisas a partir de materiais como "Luzia" têm sugerido um outro modelo de ocupação do continente americano, apontando para a possibilidade de pelo menos mais uma onda migratória, além das três tradicionalmente postuladas.
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De acordo com esta hipótese, os primeiros grupos pré-históricos teriam chegado em nosso continente entre 20.000 e 25.000 anos atrás, ou ainda mais cedo, e seriam oriundos da Ásia central. Esses primeiros povoadores das Américas seriam descendentes diretos dos primeiros seres humanos modernos que teriam se expandido da África para a Ásia, Europa e Oceania a cerca de 100-150.000 anos atrás. Provavelmente em contínuo movimento, teriam prosseguido sua migração até atingir o continente americano, onde ainda chegaram com características ósseas mais arcaicas, como as dos aborígenes, que ocuparam a Austrália há mais de 50.000 anos. Tais grupos teriam se espalhado por toda América, e vivido como caçadores-coletores, pelo menos até a época da extinção de mamíferos gigantes como o tigre de dente-de-sabre, o gliptodonte, o mamute e o megatério.
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Entre 12.000 e 10.000 anos atrás, novas ondas migratórias vindas da Ásia teriam chegado ao continente americano. Dessa vez eram constituídas por povos cujos esqueletos eram fisicamente mais parecidos com os das populações orientais. Para alguns autores, estes últimos teriam chegado às Américas seguindo os grandes rebanhos de animais herbívoros que cruzavam o Estreito de Bering. Entretanto, outras rotas, inclusive por mar, poderiam ter sido utilizados. Os novos grupos teriam se estabelecido e crescido nos diferentes ambientes oferecidos pelo continente americano. Seus esqueletos parecem corresponder à maior parte dos achados arqueológicos datados de menos de 7.000 anos, mostrando semelhanças também com os dos indígenas atuais.
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